- TARRRRDE EVARISTO!!!
- BOA TARRRRRRDE SANDRA!!!
E assim começa a reportagem do Jornal Hoje sobre “Os jovens do Brasil na Festa do Peão de Barretos”. Seguida de um depoimento do rapazinho faceiro de chapéu:
- Istudado nóis é. Nóis fala errado porque nóis qué.
Tá certo o amiguinho da bota. Nóis fala errado porquê nóis qué. E achamos graça disso. Aliás, achamos lindo. Lindo demais, se for pensar.
Devíamos nos espelhar nos alemães que tratam hoje o nazismo com asco, vergonha. Reprovam essa mancha em sua história. Reprovam quaisquer atos advindos dessa ideologia. Devíamos ter vergonha das tais festas de peão que existem por aí, em qualquer cidade. Onde há uma vaca velha mugindo já há o pretexto pra uma festa de peão.
Isso que chamam de festa traz consigo tudo que há de mais sofrível na sociedade. Vamos ser bem claros. O machismo se aflora em cada frase decorada (agroboys não inventam frases, só saem por aí repetindo o que acham bonito, até porque sua capacidade de internalizar informações é comparável à de uma anta paralítica ou uma paca com dengue) como “nas muié nóis até encosta, mas é das puta que nóis gosta”. Pra eles, quanto mais mulher eles tiverem, melhor. Mas tem que sair divulgando por aí que chifrou suas 5 namoradas. Aliás, não sei porque todo esse medo chifre por parte dos pseudo-sertanejos. A vida deles é isso: levar chifrada, seja do patrão, do touro, ou da mulher. E merecidas.
A funcionalidade de suas roupas e apetrechos é incrível. Se é noite, qual a função de chapéu na cabeça? Se tudo é asfalto, pra que usar bota? Se a calça não cai, coloque um cinto pra segurar o peso que a fivela vai fazer. Na reportagem, havia um carinha de chapéu, óculos escuros e sem camiseta, reclamando: AS MUIÉ TÁ DIFÍCIL, VIU. Eita mundo injusto.
Outra coisa que se valoriza no país é falar errado. E não tô falando do tiopês, usado somente em brincadeiras de internet (pasme: eu falo corretamente no meu dia-dia). Ninguém precisa puxar o r, ninguém precisa excluir o fim das palavras, ninguém fica mais bonito falando nesse caipirês de quinta. O roceirinho lá da beira do rio deve rir quando vê pessoas “estudadas” de “camioneta zera”, de roupa da Lacoste com o curso de direito pago pelo pai (assim como a camioneta) falando tão errado. O problema do Brasil realmente não está em escassez de informações. É de pobreza de espírito mesmo.
Identidade cultural? Me dêem um tiro. Não sabia que Babado Novo tinha algo a ver com sertanejo. Nem que as músicas eletrônicas que rolam por lá tinham suas versões rurais. E sei lá, mas não conheço muita gente que monta em boi, nem que acha isso bonito. Na verdade, as pessoas vêem mais utilidade em trabalhar do que servir de idiota, correndo risco de vida gratuitamente em cima de um touro.
Sei lá, não é porque o boi serve de comida, que podemos montar em cima dele e torturá-lo. Ninguém pega carona no lombo de um tubarão, nem monta numa galinha. E não me digam que isso é esporte. Você que acha isso, deixem montar em cima da sua mãe pulante da próxima vez, trouxa.
O melhor de tudo é quando dizem que eu, ou quem não gosta desse tipo de cultura, é intolerante. Justamente nós, que aturamos calados todo dia, toda hora, a tudo isso. Você já viu alguém chegando no show do Vitor e Léo pedindo pra eles tocarem Milton Nascimento? Ou então, num show duma dupla sertaneja, exigir que eles toquem System of a Down? Então. Quantas vezes você já viu gente pedindo prum músico de mpb e rock: Pelo amor de Deus, Jorge e Mateus? Reflitam mais sobre intolerância e alienação.
Que essa Festa de Peão de Barretos dê mais ocorrências policiais do que já dá normalmente. Que A Sandra Annemberg e o Evaristo Costa sejam atropeladas por uma Hilux turbinada. Que o agroboy dono da Hilux morra de Aids, sífilis e todos os tipos de DST, cada um adquirido com uma maria-breteira diferente. Que os peões caiam de cabeça ou fraturem algúmas vértebras quando forem pisoteados pelos touros. Que as mulheres que adoram esse tipo de cara, apanhem muito dos maridos.
E tenham uma ótima semana.
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Retirado de: http://teletube.wordpress.com/2008/08/27/estudado-nois-e/
Mas foi editado e lá na URL original já está diferente.
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